Ser agente de pastoral é uma graça

 

Ser agente de pastoral também é uma vocação, que envolve o serviço aos outros e a intimidade com Cristo. 

 

Você já ouviu aquele ditado de que só podemos dar o que temos? Então, o agente de pastoral é chamado a ser sinal de Deus para o outro. Porém, antes disso, precisa ter um encontro pessoal e constante com Cristo. Embora tenha muitas responsabilidades, essa missão também é uma graça, porque proporciona a vivência dessas duas realidades.

Ou seja, para o agente de pastoral, a intimidade com o Mestre e o serviço na comunidade devem andar lado a lado. Em relação a isso, em uma de suas catequeses sobre a oração, o Papa Francisco nos lembra que devemos rezar a todo instante, em tudo que fazemos.

“Assim, os tempos dedicados a estar com Deus reavivam a fé, que nos ajuda na realidade da vida, e a fé, por sua vez, alimenta a oração, sem interrupção. Nesta circularidade entre fé, vida e oração, o fogo do amor cristão que Deus espera de cada um de nós mantém-se aceso”, comentou o Santo Padre.

Não podemos esquecer que ser agente de pastoral também é uma vocação. É a partir dos momentos em que rezamos que podemos dizer, assim como Samuel: “fala, pois teu servo escuta” (Sm 3, 10). 

Daí em diante, o Senhor nos abre os ouvidos para compreender qual é nosso lugar na Igreja. Além disso, nos recorda que recebemos muitos talentos. Desse modo, enraizados na amizade com Ele, devemos colocá-los à disposição da obra divina. 

 

Discipulado e missionariedade do agente de pastoral 

 

Provavelmente, você conhece a passagem do Evangelho em que Jesus visita Marta e Maria, irmãs de Lázaro (Lc 10, 38-42). 

Na presença do Mestre, a primeira estava empenhada em muitos serviços, tentando oferecer a melhor hospitalidade. Já a segunda estava totalmente envolvida nas palavras que eram ditas por Cristo, sentada aos pés dEle. 

Essa atitude parece gerar um certo incômodo em Marta, que pergunta a Jesus: “Senhor, a ti não importa que minha irmã me deixe assim sozinha a fazer o serviço?”. 

Ele, porém, responde: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só. Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”.

Esse é o equilíbrio que, muitas vezes, o agente de pastoral precisa encontrar. Mesmo em meio às obrigações do cotidiano e à necessidade de cumprir o serviço, não pode deixar de lado a espiritualidade que permeia essa missão.

Marta não estava errada em querer oferecer o melhor. Contudo, se deixou absorver de tal modo pelos afazeres, que estava colocando em 2º lugar o que realmente importava: estar na presença do Senhor. 

Por isso, o agente de pastoral deve viver estas duas dimensões:

 

  • A ação de Marta, com firme disposição para servir e acolher a todos;

  • A contemplação de Maria, com o coração centrado na Palavra de Deus.

 

Assim, as irmãs nos apontam um caminho a seguir. 

“Devemos associar essas duas atitudes: por um lado, o “estar aos pés” de Jesus, para ouvi-lo enquanto nos revela o segredo de todas as coisas; por outro, estar atentos e prontos para a hospitalidade, quando Ele passar e bater à nossa porta, com o rosto de um amigo que precisa de um momento de descanso e fraternidade” (Papa Francisco).

 

O zelo apostólico

Para exercer essa missão, também devemos ter os olhos fixos em uma verdade. Todo o serviço que realizamos, em qualquer lugar, mas especialmente na igreja, deve ser feito para Cristo e com Ele.

Ao discursar para bispos, religiosos, seminaristas e catequistas, em uma viagem que fez no início deste ano, o Papa destacou a necessidade de manter o zelo apostólico. Francisco reconheceu que há dificuldades, entretanto, pontuou que é preciso perseverar com ânimo.

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“Quando servimos o próximo com dedicação […] estamos realmente servindo a Jesus, como Ele mesmo nos disse. E servindo a Jesus nos outros, descobrimos a verdadeira alegria”, comentou.

 

A graça que é servir a Deus na comunidade

 

Ao servir como agente de pastoral, temos a oportunidade de enxergar os frutos que, pela intervenção divina, nossas ações podem ter na vida dos irmãos. Por outro lado, com o passar do tempo, também vemos florescer, nas nossas próprias vidas, estas graças.

 

O amor fraterno

O serviço na comunidade nos ajuda a perceber que, de fato, todos fazemos parte da grande família de Deus. Quando menos esperamos, aqueles paroquianos que apenas cumprimentávamos por educação, se tornaram nossos amigos para todas as horas.

Passamos a reconhecer o padre, que antes parecia uma figura distante no altar, como nosso pastor. Compreendemos que temos pessoas que rezam por nós e que podemos trilhar, juntos, uma vida de santidade. 

 

A gratidão

Nos sentimos gratos por Deus nos chamar a ser seus instrumentos, apesar da nossa pequenez e das falhas. Ao observarmos a mudança na vida do irmão, agradecemos ao Senhor, porque aquela pessoa também pôde experimentar o imenso Amor Divino. 

 

A certeza de estar cumprindo sua missão

Quando ouvimos o chamado de Deus e respondemos com um “sim”, temos a certeza de estar no melhor lugar para nós. Compreendemos que, naquele serviço, podemos nos santificar e, ainda, ajudar todos que nos cercam a chegar aos Céus. 

 

O fortalecimento da fé

Servir na comunidade também nos ajuda a crescer na fé. Por meio disso, podemos conquistar virtudes, conhecer mais a doutrina e a tradição da Igreja e, principalmente, nos aproximarmos de Deus. 

 

Fiat, faça-se

E você, já parou para pensar sobre isto: “será que Deus me convida a ser agente de pastoral na minha comunidade?” Que, pela intercessão da Virgem Maria, perfeita serva, possamos dar um “sim” verdadeiro a Ele, independente do chamado e das nossas limitações.

Hoje, nos unimos ao Papa, e pedimos que o Senhor “nos conceda a graça de amar e servir a Deus e aos irmãos com as mãos de Marta e o coração de Maria”.

 

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